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O
caipira e o juiz
Certa vez, numa cidadezinha do interior
de Minas chegou um juiz de direito muito severo. O magistrado fazia
questão de demostrar sua raiva aos que aproximavam com intuito
de agrados calculados à sua pessoa. Quando um desses, popularmente
conhecidos por puxa-sacos, chaleiradores se aproximavam, uma indignação
se apropriava daquela autoridade e logo uma seqüência de
composturas eram derramadas sobre o bajulador e todos que estavam
em volta. Deu-se, porém, que um caipira do lugar ansiava por
uma sentença num processo seu. Inconformado com a lentidão
da justiça o caipira viu como solução para aquela
sua pretensão fazer um agrado ao juiz. Dirigiu-se ao escritório
de seu advogado e falou-lhe do pretendido. Disse-lhe que talvez a
solução para aquele processo andar, poderia ser um presentinho
para o homem. Melhor dizendo, doutor, estava pensando em mandar um
leitãozinho para o meritíssimo. Ouvindo aquela insensatez,
o advogado passou-lhe uma sabatina, relatou-lhe, bravamente, que o
juiz era uma fera, perdia razão diante de tais atitudes como
aquela que ele queria tomar. O caipira ouviu tudo humildemente e bateu
em retirada para sua roça.
Passado um mês, a tão esperada
sentença saiu como o caipira desejava. Tendo conhecimento da
mesma, seu advogado imediatamente foi ao encontro do seu cliente para
lhe contar a vitória. Logo que o advogado terminou, o caipira
mais exclamou do que qualquer outra coisa e disse" pois é,
doutor, valeu a pena então eu ter mandado o leitãozito!",
para o espanto do advogado que, novamente, asseverou sua voz para
o caipira:" não acredito que você mandou o leitão
para o juiz!" O caipira prontamente lhe respondeu que havia mandado
sim, com um bilhete muito educadinho, mas em nome da parte contrária.
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